sexta-feira, 13 de março de 2020

Enfermidade



Eu admito, contrito pela vergonha,
Sim, tenho escrito versos amargos
Bem sei que são travosas as minhas rimas
Quem sabe me perdoe a Musa e os escassos leitores?
É que desaprendi a receita da doçura
Esqueci como se escreve
todas as brandas palavras
Da balança da inocência perdi os pesos
E as frases românticas se azedaram
antes de chegar a hora
E já não servem mais na minha forma poética
As ingênuas paráfrases de antigamente
É que o 'eu lírico' deste velho poeta
Contraiu Alzheimer de carinhos
Não se lembra mais do que é estar apaixonado
E os seus olhos cansados
Estão agora míopes de solidão
Já não enxergam a luz da felicidade.

.

Enfermedades


Lo admito, contrito por la vergüenza
Sí, he escrito versos amargos
Sé que mis rimas son dolorosas
¿Quizas, puedo perdonarme la Musa y los pocos lectores?
Es que desaprendí la receta de la dulzura
Olvidé cómo deletrear
todas las palabras suaves
Perdí los pesos de la báscula de la inocencia
Y las frases románticas se agriaron
antes de que llegue el momento
Y ya no sirven en mi forma poética
Las paráfrasis ingenuas de antaño
Es que lo "yo lírico" de este viejo poeta
Contrajo Alzheimer de afectos
Ya no recuerdo lo que es estar enamorado
Y tus ojos cansados
Ahora son miopes en la oscura soledad
Ya no ven la luz de la felicidad.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O lançamento do novo livro de contos do escritor Antonio P. Pacheco, "O Universo no Espelho - Aqueles Outros e Suas Versões das Históri...