quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Agosto

Ma songerie aimant à me martyriser
S'enivrait savamment du parfum de tristesse
Que même sans regret et sans déboire laisse
La cueillaison d'un Rêve au coeur qui l'a cueilli.
(Mallarmé, in Apparation)



Sob a hirta lua
Deste cinza céu
De agosto ardente
Desfaz-se de súbito
A ira no canto da boca
O riso brota
Num instante lúcido
O passo derradeiro
Sobre o vácuo do abismo
O silêncio livre
Ascende ao píncaro
Em fuga inútil
A palavra mais rara
Revela-se frágil
O corpo retém
Na palma e no peito
A seta mortal
Trespassa os limites
O grito e o êxtase
Da última dor
Despede-se o beijo
Antes do ato
A alma faminta
Sobre a lápide fenece
O tempo de agora.


Antonio P. Pacheco 

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